What if RPG

junho 12, 2009

XT7 – River e Amy going to France!

Filed under: XT7 — Tags:, , , , , , — C @ 01:12

- Então a princesinha saiu sem o seu pitibul hoje? – foi o que River ouviu na saída de escola, a voz inconfundível de sua amiga Grunk.

River pensou em parar e responder algo como “bem, aparentemente você está aqui…”, mas não sentiu vontade. Continuou andando, ignorando Grunk.

- Estamos caladas hoje, não estamos? – ela respondeu, enquanto sua dupla dinâmica Krunk bloqueava o caminho da frente da garota – melhor, vai ser mais fácil assim.

Estreitando os olhos, River parou de morder a língua e respondeu:

- De pitbull só conheço vocês duas ogras. Agora se me dão licença, não vou perder meu tempo ouvindo vocês.

- Escuta aqui sua bostinha! – A garota disse segurando River pela gola, não antes de jogar a mochila dela no chão. River podia ver que a garota tinha uma queimadura bem visível sobre o olho esquerdo, mesmo já tendo passado quase mais de uma semana.

- Nós vamos te ensinar uma coisinha ou duas sobre respeito.

- Você certamente não sabe diferenciar opressão e respeito. – River rosnou, faltando apenas cuspir um “estúpida!”, e levou as mãos para o rosto da garota que a segurava, arranhando com gosto.

(afiando as patas e tal)

A garota atirou River no chão e se preparou para chutá-la

- Ei, o que você estão fazendo ai? -gritou um policial que vinha passando ao longe

River estava protegendo o rosto, esperando o primeiro chute, só que ao ouvir o policial, ela se levantou, agarrando suas coisas e tropeçando para longe das monstrinhas revoltadas. Não queria saber o que o policial faria com elas ou qual desculpas elas usariam, queria apenas sumir dali.

Enquanto corria, passou por vários quarteirões e quadras até sentir um puxão e alguém cobrir sua boca com a mão.

- Você nasceu com um dom para problemas, heim? – Amy disse para a garota enquanto tirava a mão da sua boca

- Não comecei dessa vez!! – ela disse, quase gritou, de forma agitada enquanto olhava para os lados e por cima dos ombros – Eu sequer falei com alguém! Eles estão programados para ser imbecis! Só pode ser!

Amy deu um tapinha no ombro da garota e sorriu, aquela inocência era realmente cativante e isso ela não podia negar.

- Calma, calma, vc esta segura agora

- Onde você esteve? Por que não veio para a aula? – a garota parecia realmente preocupada, como um técnico da NASA após o lançamento do satélite, sem saber exatamente o que seu adorado fazia lá no espaço.

- Eu estive por aqui, por ali, por toda parte. Fazendo o que me dava vontade, vc não?

- Não. Digo, sim. Senão não teria ido ao banheiro nem dormido… – ela fez uma pausa, pensando, e como quem não tinha muito certeza daquilo, adicionou – Preciso ir…

Amy simplesmente pareceu ignorar o que River disse e comentou “- Vc gosta de sorvete?”

Os olhos de River brilharam. Muito além do que os olhos de uma criança brilharia. Estamos falando de uma das maiores tentações oferecidas por uma sucubus aqui. Ela sorriu e abraçou sua mochila como se fosse seu amante.

- De doce de leite? E menta? E morango?… Hummm… chocolate ocm pedaços de chocolate…

Amarantha segurou o braço de River e a conduziu pelo centro da cidade mais uma vez, como seu cachorrinho de estimação. Um particularmente bonito, diga-se de passagem.

Entrou numa sorveteria e se sentou numa mesa do segundo andar “Pegue o que quiser, por minha conta”.

(ela paga por coisas?)

(ela DISSE que ia)

River sorriu e pegou um pote muito maior do que alguém de sua finura demonstraria comer. Havia uma mistura de sabores, sedutoramente coberta com granulados coloridos e canudos de biscoito. E como quem apreciasse uma obra de arte, River juntou as mãos e esfregou uma contra a outra antes de atacar seu mais novo tesouro.

Amy sorriu, e juntou as mãos observando River comer. Na verdade nunca havia visto a garota ser tão espontânea por qualquer coisa; observou encantada como quem observa seu animalzinho fazer um truque particularmente interessante.

- Como foram seus últimos dias?

- Hum… – ela pensou entre colheradas – Cinzas… Confusos. Não gosto disso. – ela concluiu, franzindo as sobrancelhas – Você deveria ir mais a escola, agora minha rotina está caótica e sem rumo.

- Também senti sua falta – ela disse, com um sorriso – E vc deveria ir menos, vc não precisa disso. Nem eu.

- Preciso. Sempre há algo… E presença conta em um currículo. E…. e… devemos ir.

- Então… pra que vc precisa de um currículo, exatamente?

- Para ir para uma faculdade, é claro. – ela passou um canudo de biscoito particularmente suculento no sorvete de morando e ofereceu para Amarantha.

Amarantha aceitou o canudo de biscoito de River e engoliu, tocando os dedos da garota com os lábios lentamente.

- E para que vc precisar ir para faculdade, é claro?

- Para aprender mais. – a garota corou, trazendo sua mão de volta e focando toda sua atenção na montanha colorida diante de si.

- Se é que te faz feliz, ela respondeu erguendo as sobrancelhas. Quanto a mim, acho que irei por sua causa até pensar em algo mais divertido para fazer…

River sorriu abertamente.

- Por mim?

Amarantha piscou e sacudiu a cabeça “Vamos para Paris.”

- Não entendi. Não acho que os professores farão uma viagem tão cedo… Mas enfim… – ela passou o indicador pelo topo do sorvete de menta e ofereceu para Amarantha – O que você pretende fazer?

Amarantha ignorou o dedo com sorvete de River, levantou e lhe deu um beijo gelado (sorvete, you know) de língua.

- Estou dizendo que nós iremos assim que vc terminar esse sorvete. E vc não vai perder sua preciosa aula amanhã, é claro.

A possibilidade parecia ridícula e impossível. River riu e lambeu o próprio dedo.

- Você fala as coisas mais estranhas. – ainda assim, River se apressou com seu sorvete e ao terminar, pareceu satisfeita com seu trabalho. – Pronto.

- Vamos. – Amy saiu andando para que River a alcansasse, como ja era de costume. Ao passar pela recepção, o atendente informou que eram 21 euros e 90 centavos. Diante dessa informação, Amy pensou um pouco, ponderou e então levantou a saia, exibindo suas coxas alvas e sua calcinha de cor preta

- Fique com o troco, vamos

Saiu enquanto o atendente ainda estava no estagio “WTF?!?”

Assustada e atônica, River precisou realmente ser puxada para se mexer. Até suas orelhas estavam roxas e precisou se segurar para não conferir no sinal da polícia se havia alguma informação sobre furtos de sorvete naquela região da cidade… Certamente policiais teriam mais o que fazer…. Não é……..?

Amarantha parou na calçada, e colocou a mão no queixo. Por fim escolheu uma vespa amarela e sentou em cima. – Sobe.

Obedientemente, River subiu, ajeitando sua saia e mochila antes de segurar na cintura de Amarantha.

Amy apenas colocou a mão sob o guidão e a moto partiu. Amy então se inclinou para trás, escorando a cabeça no ombro de River e os braços em torno do seu pescoço.

River só não surtou com a cena por conhecer o poder da outra garota, mas ainda assim, não desejava ter a imagem das duas em algum banco de dados sobre mutantes. Fez uma nota mental e quando chegasse em casa, teria que fuçar nas câmeras da cidade para consertar isso.

Com um suspiro, River relaxou, seu braço direito envolvendo a cintura da garota a sua frente com um pouco mais de posse o que imaginaria estar usando e recostou a testa conta o ombro e Amy.

- Você faz isso por prazer? Chocar?

- Porque eu posso. – Amy segurou as mãos de River sobre sua cintura, tentando puxá-las para cima na direção dos seus seios apenas pela diversão de provocar a garota – E vc também.

River não pode deixar de perceber também que a moto se dirigia em direção ao aeroporto da cidade.

Sendo a boa menina que era, River manteve a mão na cintura de Amarantha.

- Posso, mas não devo.

- Claro que devemos, não seja absurda

- Para onde estamos indo? – ela também gostaria de perguntar “você escolheu essa vespa só para me provocar?”, mas achou melhor não. Não era como se fosse fazer alguma diferença.

- Achei que já ouvesse dito isso, estamos indo para a França, oras

- Sabemos que a França é um tanto longe se formos de vespa.

- Vc não é burra sweethearth, sabe que estamos indo para o aeroporto, e empinando! – Amy disse dando uma pancadinha na lateral da moto com a perna como se fosse um cavalo.

Passou pela mente de River fazer algumas perguntas. Por que ela? Por que estava fazendo isso? E o que exatamente Amarantha planejava? A ruiva continuava um enigma e continuava sendo atraente em toda a sua revolta com o senso comum. River queria. Não. River precisava saber porque ela era assim e o que estava se passando por trás das muralhas ao redor dela.

Sem contar que os livros de psicologia recomendaram o uso de diálogo, sempre.

Apesar disso, a garota ficou em silêncio, gostando de descobrir o cheiro cítrico de lima que o cabelo de Amarantha tinha e como sua cintura era fina o suficiente para que pudesse ser abraçada com apenas um braço.

Elas seguiram por alguns minutos até chegarem as cercanias do aeroporto, o que significava que, como empre, Amarantha estava falando muito sério.

Amy parou a moto na entrada do aeroporto e entrou, não sem antes dar um tapinha nas ancas dela para que ela voltasse para casa.

Se dirigiu direto ao balcão de passagens ignorando a fila e se debruçou sobre a mesa.

- Duas passagens para Paris, agora!

River deu um sobressalto quando ouviu o tom de Amy. Ela olhou para a fila de pessoas e segurou a beirada de sua blusa. Estava sendo um animalzinho obediente, mas temia que alguém mais revoltado naquela fila viesse estapeá-las.

- Você faz idéia de quem essa pessoa é? Faz idéia do tamanho do processo que vocês vão ter que responder se ela não estiver naquele avião em cinco minutos? Vai ter sorte se trabalhar perto de aikiki novamente, te digo isso!

- Ela afirmou puxando River pelo pulso para perto do balcão

- Eu sinto muito senhora, já estou resolvendo isso, a incompetência desses funcionários de hoje em dia, por favor não fique irritada.

Engolindo a seco e estremecendo com o tanto de atenção que recebia, River franziu a testa, tentando se concentrar em ficar séria… O que saiu mais como: >=(

- VIU O QUE VOCÊ FEZ? VÊ? ESTAMOS COM SÉRIOS PROBLEMAS AGORA, VC CONDENOU A TODOS NÓS!

Enquanto isso, o pobre atendente da companhia aérea quase caiu para trás quando o computador lhe disse quem era aquela garota.

- Por favor senhora, por aqui ele apontou para River e a conduziu até o portão de embarque.

- Senhora Charllotte Sarcozi, por aqui, sinto muito pelo inconveniente.

- É BOM MESMO QUE SE DESCULPE, SE PRETENDE ALIMENTAR SEUS FILHOS NOVAMENTE! – Amy ralhou com o funcionário.

Apressadamente River seguiu o atendente – mais por querer sair de perto dos outros passageiros do que por gostar da idéia de ser alguém assustadoramente importante.

… Mas no fundo, lá no fundo, estava gostando do seu primeiro RPG Live Action.

- Então, como é ser a filha do presidente da França? – Amy lhe perguntou enquanto passavam pelo portão de embarque.

- Assustador…. – ela segurou a mão de Amarantha, apertando com força – E se eles descobrirem? Você sempre faz isso? Aliás, por que está fazendo isso?…. Podemos ver a Torre Eiffel?

- Se eles descobrirem, estaremos em outro país sobre qual a policia não tem nenhum poder e uma ação diplomática levaria meses. Estou fazendo isso porque eu posso, essa é a lição que vc tem que aprender aqui. Eu te disse isso desde a primeira vez que nos encontramos. Vc é especial, assim como eu. E bem, porque eu quero ver a Torre Eiffel e tirar fotos românticas no arco do triunfo, eu sou uma garota as vezes. Mas não espalhe essa parte, é segredo ;D

- R-românticas? Comigo? – olhando para os próprios pés, River corou – Você é assim com todas as garotas que conhece?

- Ai… – Amy deu um suspiro pesado e cansado – Qual a parte de “você é especial” é tão dificil de entender? Talvez matar aula realmente não seja uma boa coisa pra vc…

- Não é como se eu interagisse com outras pessoas. – River franziu a testa novamente e bufou, ainda com o rosto vermelho.

(aka Não sei como essas coisas funcionam.)

- Vou te ensinar como essas coisas funcionam, preste atenção

Vc para bem aqui, isso. Agora sorria e coloque a mão no meu peito assim – disse ela conduzindo a mão da garota – Ótimo, agora acene para aquele papparazzi, estamos criando um escândalo internacional senhora filha do presidente da França. – Ela completou com uma gostosa gargalhada.

Ao ouvir as palavras mágicas, River olhou novamente para a garota, focando nela toda sua atenção. Ela ficou entre fugir e brigar com Amy, acabando por retirar a mão e caminhar para o avião com mais pressa que antes.

- Pq vc é tão tensa?

- Por que você é tão solta?…. Somos dois campos diferentes, interagindo apesar das regras físicas e ainda assim, não consigo evitar dizer “não” quando você faz algo assim… – ela balançou a cabeça – Eu tenho medo… do que pode acontecer. É por isso.

Amy fechou a cara parou de caminhar e segurou River pelos ombros. Virou ela de costas e pegou alguma coisa na sua mochila, então virou a menina de volta, enfiando o seu iphone na sua mão

River ficou olhando, sem entender.

Ninguém, absolutamente ninguém nesse mundo pode te tocar se vc não quiser. Você é a filha do presidente da França ou Osama Bin Laden se nós quisermos que você seja. Entende? Essas regras, essas “complicações” não foram feitas para nós. Nós somos diferentes, nós somos especiais. Nós. Somos. Superiores.

- Então o que é que te preocupa tanto, afinal? Não existe um computador nesse mundo que não levante e dance a macarena se eu quiser, não existe prisão nesse mundo que te detenha se vc tiver dois parafusos e uma colher. Entende o tipo de poder que nós temos?

Houve um longo momento em silêncio. O lado mais racional de River dizendo coisas a respeito das reais filhas de presidentes e terroristas, de suas fotos em jornais e revistas… O lado mais racional de River dizia que haviam regras éticas feitas para serem seguidas ou o mundo seria dominado por uma anarquia autodestrutiva e incontrolável que destruiria toda forma de vida do planeta.

O lado emocional de River dizia que a mão de Amarantha era macia e que seu sorriso era bonito, e isso bastava.

River, por si só, não queria mais pensar.

- Podemos subir na Torre Eifel?

- Como poderíamos não fazê-lo? Vamos para Paris, sweetheart.

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