What if RPG

junho 14, 2009

XT7 – River/Amy going to France II

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Elas realmente haviam conseguido entrar de graça naquele avião. Primeira classe ainda por cima.

River ainda estava sem palavras para aquela situação. Nunca havia saído de Oxford sem os pais, nunca havia feito algo ilegal – Invadir sistemas para o bem de pesquisas era altamente aceitável, obviamente -, nem nunca seguiu outra pessoa, mesmo sabendo que as ações e resultados seriam de caráter duvidoso.

No fundo, tinha noção de que provavelmente havia algo que Amarantha desejava dela. Algo relacionado aos seus poderes, quem sabe, ou à sua ocasional misantropia (Amy parecia ter tanto apreço pelas pessoas normal quanto ela).

E mesmo sabendo que poderia estar sendo usada e manipulada, tinha vontade de chorar ao imaginar o que acontecia se Amarantha simplesmente se cansasse dela e resolvesse fazer o que seja que sua mente desejasse, com quem quer que aparecesse no momento. Também queria chorar pela idéia de que estava sendo fraca o suficiente por pensar em chorar com o motivo anterior… Carência não era eficiente ou racional.

Aliás, nada parecia ser racional desde que conheceu Amarantha… Não gostava de sua condição sem poder, dominada e fisgada, mas não conseguia imaginar sendo realmente completa sem aquilo.

No todo, aquele pequeno geniozinho nunca se considerou tão tolinha e tão envolvida quanto agora, enquanto se aninhava contra a garota ao seu lado, encolhida na poltrona do avião.

Esse tipo de situação a deixava particularmente introspectiva.

Amarantha se recostou na poltrona enquanto abraçava River que se aninhara junto a ela como um filhotinho. Com o braço livre, pediu mais um champagne. Sob outras circunstancias Amy estaria extasiada com a situação, o poder de controle absoluto que tinha sobre uma mutante absurdamente poderosa tanto quanto sobre o coraçãozinho de uma jovenzinha rica e virgem. Na verdade lhe ocorreu mais de uma vez a sensação tentadora de pedir a outra garota que lambesse seus pés só para ver se ela faria isso (alem de pela sensualidade da coisa toda, mas isso é outra história), mas não era a hora ainda. E a sensação de que as coisas só iam melhorar lhe parecia deveras aprazível.

Entretanto, como eu disse, havia outra coisa em sua mente nesse exato momento, algo bem maior e que consumia visivelmente a sua atenção.

Amy se sentia particularmente estupefata ao mesmo tempo que se sentia profunda, profundamente idiota por nunca ter pensado nisso antes.

O que ela fez com o computador do aeroporto, bem, foi a primeira vez que ela tentou algo do tipo a sério. Ela nunca havia explorado o quanto ela podia interferir no funcionamento dos aparelhos sem fazê-los sair latindo pela sala.

Foi uma brincadeira que deu absolutamente certo, e agora Amy imaginava as implicações disso. Quer dizer, se funcionou com um computador então funcionaria com um caixa eletrônico, certo?

Ou com qualquer coisa que ela quisesse, compreende o tipo de poder que isso lhe dava?

Ela estava rica, pura e simplesmente isso. Ganhou na loteria, sua avó milionária e excêntrica morreu, tudo junto ao mesmo tempo.

Chega de dormir num sofá com as molas quebradas, de haver limites na sua vida… ela estava rica. Para River isso não significaria nada, isso não era nada senão a realidade dela, pensou. Mas para quem não tinha nada isso é outro mundo, outro nível.

Essa brincadeira a havia tornado, sem exagero, outra pessoa.

Enquanto Amarantha bebia, River pensava. Seus olhos estavam fechados desde que haviam sentado e para quem olhasse de longe, era apenas uma garota dormindo. Enquanto, na realidade, sua mente corria…

Amarantha era, se não tão, mais control freak que ela. Parecia satisfeita quando testou seu braço, provavelmente estava satisfeita agora, ao vê-la nessa posição de animalzinho fiel.

Não havia cogitado antes abrir mão de seu poder para outra pessoa, de colocar de lado seu orgulho para ver outra pessoa feliz. O que exatamente era isso?

Vamos lá, em teoria… o que é isso? Onde mais viu algo parecido…? Pense River.

Romances…

Sim, dos mais clássicos aos mais atuais. A mais pura forma de se enlouquecer.

Será que estava fazendo certo? As coisas eram rápidas assim? Se medisse numa escala e comparasse os últimos meses e fizesse uma projeção… seu nível de Romance por Amarantha equivaleria ao amor de (um dos supostos) deus.

E agora que projetava numa escala seu Romance atual (não os dois lados, apenas o seu), e se levasse em conta que o nervosismo, ansiedade e taquicardia eram formas de medir esse… sentimento…

Gostava de Amarantha……….

Escondendo sua expressão e bochechas coradas de si mesma, River afundou o rosto contra a barriga de Amy, murmurando algo incompreensível (ou talvez fosse só um gemido).

- Ei sweethear, está passando bem?

- Uhun… – River suspirou, não conseguindo ignorar o cheiro da outra garota. Ali estava outro problema… essa coisa toda de hormônios…

Amy passou a mão pelo cabelo de River, correndo com as unhas de leve pela nuca da garota, podia sentir os pelinhos dela se arrepiando. entretanto o gemido de River a trouxe de volta para esse mundo, para a pessoa que tinha ao seu lado. Mais do que uma pessoa, ela via River nesse exato momento como um dos bichinhos de sucata que ela criava e descriava quando bem entendesse e talvez por isso aquele gemido lhe falou tão fundo.

- River, querida, escute… eu… eu estou te fazendo mal?

Balançando a cabeça negativamente, River relaxou e só manteve a posição ue estava por ter gostado do arrepio que Amarantha causou.

- Não… Não é isso. – ela virou o rosto, focando sua atenção no rosto de Amy – Não sei lidar com terrenos novos… Muito menos um que…. que eu goste tanto, mesmo sem ter controle dos meus próximos passos.

Amy continuou passando a unha sobre a nuca de River, num gesto automático. Talvez fosse sua consciência, talvez fosse pela quinta taça de champagne mas Amy se sentia bastante leve e emotiva, será que era assim que as garotas normais deviam se sentir o tempo todo?

Era assim que se sentia quando não se era damaged, broken inside? Então seria isso ser… normal? Ou era só estar levemente bêbada?

- Tudo?! Não sei se consigo enumerar, há dias não paro de pensar em você… – ela fechou os olhos, ronronando com o carinho que recebia – Mas de uma forma geral… Penso que você gosta de poder, e que não se encaixa com as outras pessoas, assim como eu. Não sei se você se afasta de propósito ou não. Caso sim, então seria outra coisa em comum… As vezes acho que você precisa de um abraço, ou talvez eu esteja projetando que eu preciso de um abraço, ou ambos. – suspirando, ela prosseguiu – Acho você linda. Quando abre a boca, independente do que fale, mesmo que sejam prelúdios de problemas, é atraente e estou me afogando nisso.

River olhou por um momento o carpete do avião e adicionou:

- Você é fechada. Mais fechada que um lacre especial de adamantium…mas eu sei que se chegasse lá dentro cuidaria com carinho do que encontrasse, porque você é a única pessoa que me inspira essas coisas… Irracionais, emotivas e doces como um koala cookie.

Amy se abaixou e beijou a cabeça de River, ela tinha um cheiro macio e puro “- Eu não entendo nem metade das referencias que você faz, mas acho que isso é parte do porque eu estou apaixonada” – ela sussurrou baixinho no ouvido da outra.

In cases such as these I’d like a hand

Don’t wake me up without a master plan

With sight and sound becoming fragile

Don’t you understand?

When things that once were beautiful

Are bland

And when I feel like I can feel once again

Let me stay awhile

Soak it in awhile

If you can hold on we can fix what is wrong

Buy a little time

For this head of mine

Haven for all of us

In truth there is no better place to be

Than falling out of darkness still to see – ela sussurrou para River uma antiga balada de uma não tão famosa assim banda irlandesa (que se resume a: tudo que não seja U2, hahaha).

Ao ouvir a música, River sorriu, lembrando daquele anime que assistiu um dia numa maratona durante o Ano Novo. Virou o rosto e, enquanto Amarantha ainda estava próxima, a beijou. Era sua primeira vez fazendo algo assim, a primeira vez desligando seu cérebro e agindo… E céus como estava gostando daquela sensação…

Amy arregalou os olhos a principio, não imaginava o seu bichinho de estimação tomando uma atitude assim, não esperava por isso, nem sabia se gostava, bom com certeza não estava achando ruim… se sentia tão confusa e a sensação era tão inebriante. Não sabia nem se o que havia dito era verdade ou era parte do seu plano…

Before we let euphoria

Convince us we are free

Remind us how we used to feel

Before when life was real… – ela cantou baixinho quando seus lábios se separaram por um momento.

Das sete bilhões de pessoas nesse mundo, 15 bilhões de vacas e 103 ursos pandas, apenas uma de todas elas viu uma lagrima rolar pela face de Amarantha. Essa era River.

Com a mesma confiança delicada do beijo, River passou a mão pelo rosto de Amarantha e beijou o caminho que a lágrima havia feito no rosto da garota. O momento equivalia a um puppie diante de uma situação bem maior que ele, e ainda assim ele se mantinha no lugar, independente dos resultados.

River completou:

- And when I feel like I can feel once again

Let me stay awhile

Soak it in awhile

If we can hold on we can fix what is wrong

Buy a little time

For this head of mine

Haven for us…

Ela segurou a cabeça de River com as pontas dos dedos, como se fosse uma boneca de porcelana e olhou com tanto carinho e ternura, como se fosse a primeira vez visse a coisa mais preciosa do mundo.

- Eu sou uma pessoa completamente destruída por dentro, você não é burra já deve ter percebido isso. Se formos adiante com isso, bem… essa é a sua ultima chance de desistir. Vc pode descer no aeroporto, dar meia volta e nunca mais nos veremos… eu não posso te prometer nada, eu nem um futuro, nenhuma segurança, nada. Só o que eu sinto agora, que é a coisa mais linda e talvez a única coisa boa que eu já senti. Sua vida vai mudar, sua rotina vai ser despedaçada e acho até que suas notas vão cair (ela disse com um sorriso maroto). Pense nisso, pense bem se é isso que você quer, por favor. Se nós formos agora, não haverá mais volta.

Enlaçando o pescoço de Amarantha com um de seus braços, River roçou o rosto contra o dela antes de sussurrar em seu ouvido:

- Não conte para ninguém, mas gosto do que você faz comigo… – ela beijou, ou talvez tenha mordiscado, a orelha de Amy antes de continuar falando – Estou perdendo o que mais valorizo em mim, mas não me arrependo. Sei das implicâncias disso, mas não quero perder você e quero que você sinta o mesmo por mim, na mesma intensidade… eventualmente.

A garota soltou o pescoço de Amy e sorriu.

- Comeremos biscoitos coalas de sobremesa.

Amy respondeu com um beijo quente, totalmente entregue e apaixonado e por incrível que pareça se River pedisse que ela se ajoelhasse aos seus pés ela faria isso sem pensar. Entretanto se a garota tinha aprendido alguma coisa sobre Amy naqueles dias é que isso era apenas uma parte da onda e que dali a dois minutos ela levantaria dali a arrastando para algum lugar, provavelmente pular de paraquedas do avião, dando ordens e estando no controle.

- River, eu preciso te perguntar uma coisa…

- Pergunte. – ela respondeu, ainda um tanto zonza com o beijo, enquanto sentava direito em sua poltrona.

ATENÇÃO SENHORES PASSAGEIROS, INFORMAMOS QUE ESTAREMOS ATERRISANDO NO AEROPORTO CHARLES DE GAULLE EM 5 MINUTOS, POR FAVOR MANTENHAM-SE SENTADOS E AFIVELADOS, AGRADECEMOS POR VOAR COM A AIR FRANCE.

(Amy: shut up! *altos falantes explodem*)

- Pode esperar… – ela disse sentando direito na poltrona e colocando o cinto.

River afivelou seu cinto e como boa menina, se endireitou na poltrona enquanto sentia as mudanças no vôo, até então linear, do avião. Era uma sensação gostosa, essa de voar..

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